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Mas apesar de algumas melhoras em seu comportamento, do reconhecimento
da alta qualidade de suas modelagens, o médico psiquiatra
responsável por Lúcio, com o apoio da família,
decidiu recorrer à psicocirurgia, tratamento muito preconizado
na época e ainda hoje realizado. Inutilmente a Dra. Nise
tentou evitar esse desastre, chegando a dizer ao colega que havia
indicado a cirurgia: "Vocês vão decapitar um artista".
As obras de Lúcio achavam-se ainda na exposição
do Museu de Arte Moderna de São Paulo quando ele foi submetido
à lobotomia.
Ao contrário das obras anteriores à operação,
nestas estão ausentes a tensão afetiva e o meticuloso
tratamento técnico. Estava atingido o primeiro objetivo visado
pelos partidários da lobotomia: separar o pensamento de suas
ressonâncias emocionais.
Entretanto, a invulgar capacidade de criar formas reveladas por
Lúcio leva-nos a admitir, diante desses trabalhos, que uma
catastrófica regressão ocorreu. Trazem eles as marcas
do déficit, características das alterações
orgânicas do cérebro: pobreza imaginativa, puerilidade
de concepção, inabilidade de execução.
O combate entre o bem e o mal, após essa intervenção
cirúrgica, foi reduzido, segundo suas próprias palavras,
a uma luta entre gato e rato.
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