Quem visitar o Museu de Imagens do Inconsciente irá confrontar-se com imagens inquietantes e muitas vezes belas que compõem o seu acervo, estimado em 350 mil obras acumuladas nesses 50 anos de existência. Essas obras são estudadas em diferentes áreas do conhecimento humano: antropologia, psiquiatria, história da arte e religião, com o intuito de decifrar os misteriosos processos que se desdobram no interior de indivíduos que vivenciaram um profundo mergulho no inconsciente.
Para a exposição Cinco Artistas de Engenho de Dentro procuramos fazer uma seleção de obras sob o ponto de vista artístico. O reconhecimento pelos críticos de arte do valor estético desses trabalhos, cujos autores viveram confinados em hospitais psiquiátricos, derrubou velhos preconceitos em relação à loucura. O título é uma homenagem a Mário Pedrosa, que realizou, em 1949, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a mostra 9 Artistas de Engenho de Dentro. Ele escreve:
" O artista não é aquele que sai diplomado da Escola Nacional de Belas Artes, do contrário não haveria artistas entre os povos primitivos, inclusive entre nossos índios. Uma das funções mais poderosas da arte - descoberta da psicologia moderna - é a revelação do inconsciente, e este é tão misterioso no normal como no chamado anormal. Mas ninguém impede que essas imagens e sinais sejam, além do mais, harmoniosas, sedutoras, dramáticas, vivas ou belas, enfim, constituindo em si verdadeiras obras de arte."
E aqui temos como prova: Carlos Pertuis, Arthur Amora, Geraldo Aragão, Abelardo Corrêa e Emygdio de Barros, que no ambiente acolhedor e livre de qualquer coação existente nos ateliês do Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolveram um universo profundamente individual e por isso mesmo universal. Daí a liberdade e ousadia na criação, obedecendo simplesmente à música interior.
Luiz Carlos Mello
Curador e Diretor do Museu de Imagens do Inconsciente
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