A exposição O Museu Vivo de Engenho de Dentro apresenta ao público uma parcela da produção atual dos ateliês terapêuticos do Museu de Imagens do Inconsciente.

Uma equipe de profissionais vem dando continuidade à experiência iniciada pela Dra. Nise da Silveira. Lutadora incansável pela reformulação dos tristes lugares que são os hospitais psiquiátricos, Nise tornou-se um símbolo na luta pela humanização dos tratamentos dos chamados "doentes mentais". Hoje, apesar de ainda existirem
hospitais psiquiátricos, avanços ocorreram e a internação já não é mais a tônica nos tratamentos das psicoses. Os clientes psiquiátricos conquistaram maior liberdade de ir e vir e o direito de exercerem sua cidadania, de lutarem por sua inclusão social. É nesse contexto que os ateliês do Museu se inserem atualmente. Os clientes atendidos, na sua maioria externos, já não vivem mais sob as tenazes de uma psiquiatria alienante e cronificante. Num ambiente de aceitação e afeto, confrontam-se com seus conteúdos internos, através da expressão criativa livre e fortalecendo-se num verdadeiro caminho de autocura. Fica aqui registrada nossa homenagem e gratidão a todos aqueles funcionários, clientes e amigos que fizeram e fazem da história do Museu de Imagens do Inconsciente O Museu Vivo de Engenho de Dentro.

O Ministério da Saúde, parceiro permanente desse trabalho, ao apresentar o resultado das atividades dos ateliês terapêuticos do Instituto Nise da Silveira, revigora as forças para que continuemos empenhados em cosolidar as conquistas da luta antimanicomial em nosso País.

Gladys Schincariol
Coordenadora executiva do Museu de Imagens do Inconsciente/IMASNS/SMS-RJ

Márcia Rollemberg
Coordenadora-Geral de Documentação e Informação/SAA/SE/MS

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O Centro Psiquiátrico Pedro II, no ano de 2000, com a municipalização, passa a ser denominado Instituto Municipal Nise da Silveira. Se, por um lado, a nomenclatura municipal para as Unidades de Saúde Mental as uniformiza enquanto institutos, por outro, a nova
denominação reconhecia em Nise da Silveira o direcionamento das transformações que passaram a ser propostas à instituição.
A psiquiatra rebelde, como ela mesma gostava de ser chamada, representa a maior peça de resistência, dentro da instituição, à
psiquiatria tradicional que na sua época muito fez para calar seu protesto. Mas dela foram as grandes idéias em saúde mental que
sobreviveram aos anos de chumbo da política e da psiquiatria em nosso País. Nas duas ditaduras: em Vargas e nos militares. A criação
da Seção de Terapêutica Ocupacional, na década de 40, foi o maior exemplo da sua resistência à psiquiatria biológica. E possibilitou a
criação, em 1952, do Museu de Imagens do Inconsciente, acervo de importante valor artístico e científico. Um dos maiores nomes na
história do século XX, no Brasil, empresta à instituição o nome que direciona as propostas de mudança.

Edmar Oliveira
Diretor do Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira/SMS-RJ