1903 - Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro, numa fazenda de café perto da cidade de Brodowski, no estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística.

1913 - Com dez anos de idade, Candinho, como era chamado pela família, faz o seu primeiro desenho conhecido: um retrato de Carlos Gomes.
1919 - Decidido a tornar-se pintor, Portinari muda-se para o Rio de Janeiro e ingressa, no ano seguinte, na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), instituição que seguia padrões estéticos bastante conservadores.
1924 - O quadro Baile na Roça, primeira obra de Portinari com temática brasileira, é recusado pelo júri do Salão Nacional de Belas Artes.
1928 - Com o Retrato do Poeta Olegário Mariano, Portinari conquista o Prêmio de Viagem à Europa. O poeta brasileiro Manuel Bandeira escreve que o pintor há muito merecia esse reconhecimento, mas sempre fora prejudicado por suas tendências modernizantes.
1929 - Antes de embarcar para a França, faz sua primeira exposição individual, com 25 retratos, no Palace Hotel do Rio de Janeiro.
1930 - No meio artístico parisiense, conhece Maria Victória Martinelli, jovem uruguaia que será sua companheira por toda a vida.
Após ter visto tantos museus, declara que quer mesmo é pintar a sua gente simples de Brodowski “com aquela roupa e aquela cor”.
1931 - Portinari volta decidido a retratar nas suas telas os temas nacionais, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura à uma personalidade moderna e experimentalista.
1932 - Faz sua primeira exposição individual, após a volta da Europa, onde apresenta obras de temática brasileira - cenas de infância, circos, cirandas.
1935 - Obtém o primeiro reconhecimento internacional, conquistando a Segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com a tela Café, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem. Nessa obra, o pintor já revela sua inclinação muralista que irá consolidar-se nos anos seguintes.
1936-1938 - Portinari executa quatro grandes painéis para o Monumento Rodoviário, na rodovia que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. O artista começa a conceber os afrescos do novo edifício sede do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro - marco da arte moderna. Com essas obras, que serão concluídas em 1944, Portinari confirma sua opção pela temática social, fio condutor de sua obra a partir de então.
Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança na atitude estética e na cultura do país.
1939 - Neste ano, nasce o filho único do pintor, João Candido. Consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos: realiza três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York; o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela Morro, incluindo-a na mostra dos maiores quadros dos séculos XIX e XX.
No Rio de Janeiro, o Museu Nacional de Bela Artes expõe 269 obras, na maior e provavelmente mais importante exposição de sua carreira.
1940 - Participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público. Em dezembro a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, Portinari, His Life and Art, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.
1941 - Portinari executa grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana.
1943 - Conclui os oito painéis da Série Bíblica que pintou para a Rádio Tupi de São Paulo, fortemente influenciados pela visão picassiana de Guernica e o impacto da Segunda Guerra Mundial.
1944 - A convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, destacando-se, na igreja de São Francisco de Assis, o mural do altar, a Via Sacra, além dos painéis de azulejos.
A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção da Série Retirantes.
1945 - Conclui seus trabalhos para a Igreja da Pampulha, executando o mural São Francisco se Despojando das Vestes.
Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro, candidatando-se a deputado, mas não é eleito.
1946 - Dá início aos desenhos da Série Meninos de Brodowski.
Em Paris, realiza sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido agraciado com a Légion d´Honneur, pelo governo francês.
1947 - Expõe em Buenos Aires, no Salão Peuser, e em Montevidéu, nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, recebendo grandes homenagens de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. Nesta ocasião, conhece o poeta cubano Nicolás Guillén e o espanhol Rafael Alberti.
Candidata-se ao senado, mas novamente não é eleito.
1948 - Com o acirramento da perseguição aos comunistas, se auto-exila com a família no Uruguai. Neste período, pinta o painel A Primeira Missa no Brasil, encomendado por um banco no Rio de Janeiro.
1949 - De volta do exílio uruguaio, instala-se novamente no Rio de janeiro. Executa o painel Tiradentes, narrando episódios do julgamento e da execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português, o que lhe rende a Medalha de Ouro do Prêmio Internacional da Paz, em Varsóvia.
É convidado a participar, em Nova York, da Conferência Cultural e Científica para a Paz Mundial, mas a Embaixada americana nega-lhe o visto de entrada, por motivos políticos.
1950 - Recebe a Medalha de Ouro da Paz, do II Congresso Mundial de Partidários da Paz, em Varsóvia, pelo painel Tiradentes.
1952 - Tem uma sala especial na Primeira Bienal de São Paulo.
1953 - Inicia os estudos para os painéis Guerra e Paz, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, concluídos em 1956, e que foram os maiores pintados por Portinari.
1954 - Realiza para o Banco Português do Brasil o painel Descobrimento do Brasil.
Neste ano tem os primeiros sintomas de intoxicação pelas tintas, que lhe será fatal.
1955 - Participa da III Bienal de São Paulo, com uma sala especial, expondo 12 estudos da Série Guerra. Recebe a Medalha de Ouro concedida pelo International Fine-Arts Council de Nova York, como melhor pintor do ano.
1956 - Faz a Série Dom Quixote, composta de 22 desenhos a lápis de cor, para a editora José Olympio, para ilustrar uma edição, que não chegou a ser realizada, do livro de Cervantes.
Viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contato com o recém-criado estado israelense, expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, Portinari recebe o Prêmio Guggenhein do Brasil.
1957 - Os painéis Guerra e Paz são inaugurados na sede da ONU, em Nova York. Por seu envolvimento com o Partido Comunista, a receptividade dos Estados Unidos esfria. Portinari não é convidado a comparecer à cerimônia.
O artista é premiado com a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. Expõe em Paris e Munique. Neste ano, Portinari começa a escrever suas memórias.
1958 - Em Bruxelas, a mostra 50 Ans d’Art moderne expõe Enterro na Rede, da Série Retirantes, escolhida para figurar entre as 100 obras-primas do século. Foi o único artista brasileiro a participar dessa exposição. Participa também, como convidado de honra, da I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, com enorme sucesso.
1959 - Portinari apresenta obras na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas latino-americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição Coleção de Arte Interamericana, do Museo de Bellas Artes de Caracas.
1961 - Apesar das diversas manifestações da doença, Portinari não pára. Viaja para Paris, onde encontra o filho e aproveita para escrever poesias e rever museus e monumentos da cidade.
1962 - Candido Portinari morreu no dia 6 de fevereiro, vítima de intoxicação causada pelas tintas do seu ofício. O artista, na ocasião, preparava uma grande exposição, cerca de 200 obras, a convite da Prefeitura de Milão, que foi realizada em 1963, como a primeira grande mostra post-mortem de sua obra.
Num pé de café nasci