No
início de 1944 foi transferido para o Hospital de Engenho
de Dentro. Com o correr dos anos, sua atitude tornou-se de humilde
aceitação da vida hospitalar. Ajudava na enfermaria
em atividades de tipo doméstico, obedecendo sempre às
ordens de enfermeiros e guardas. Verificou-se posteriormente que,
muitas vezes, fazia trabalhos que excediam suas forças, como
levar sobre a cabeça enormes trouxas de roupa suja para a
lavanderia.
Em fevereiro de 1947, após 23 anos de internação,
Emygdio começou a freqüentar o ateliê da Seção
de Terapêutica Ocupacional. Apesar dos longos anos de internação
em condições adversas e sem nunca haver pintado antes,
seu trabalho atingiu desde o início alto nível artístico,
revelando talento incomum. Mas sempre se esquivava às comunicações
interpessoais. Espontaneamente não se dirigia a ninguém.
Quando solicitado, respondia em termos breves e logo se fechava
em seu silêncio.
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