Mostra virtual CCMS


Imagens da Peste Branca:

Memória da Tuberculose

A exposição

Inaugurada no Rio de Janeiro no Museu Histórico Nacional em setembro de 1993, a exposição vem seguindo uma carreira itinerante, com sucessivas montagens em Brasília, Recife, Natal, Fortaleza, Salvador, Brasília e Vitória alcançando um amplo e diferenciado público. Por intermédio de cartazes, fotografias, caricaturas, documentos, vídeos e objetos que revelam a história da tuberculose, o público conhecerá a institucionalização da luta contra a doença, ocorrida a partir de 1900, com a criação da Liga Brasileira contra a Tuberculose.

Percorrendo o circuito da mostra o visitante terá acesso a uma ambientação cenográfica retratando um consultório médico dos anos 30 e 40. Nessa época era comum o tratamento pelo pneumotórax, bem como as cirurgias de toracoplastia e frenicectomia. O melhor remédio, no entanto, ainda era o descanso em sanatórios de altitude e a boa alimentação.

No século XIX, a tuberculose esteve associada a uma aura de romantismo. Era chique, entre artistas e poetas, escrever sobre a doença, padecer ou até morrer de tuberculose, por amor, evidentemente. Na exposição, além de trechos de obras de poetas românticos, incluem-se poemas de Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, Manoel Bandeira e Mário de Andrade.

Objetivo

Realizar a itinerância da exposição Imagens da Peste Branca: Memória da Tuberculose pelo país.

Baseada em extensa pesquisa realizada em conjunto pra Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz e o Centro de Referância Professor Hélio Fraga/FNS/Ministério da Saúde, a exposição traça um panorama da doença no Brasil, do início do século XX até a atualidade.

Justificativa

A atualidade da questão da tuberculose é indiscutível, dado o aumento do número de casos da doença associado à pauperização, à resistência bacteriana e à incidência da Aids. Estima-se que cerca de 1,76 bilhão de indivíduos em todo o mundo estejam infectados pelo bacilo. No Brasil, cem mil casos novos surgem anualmente e, destes, cerca de quatro a cinco mil evoluem para o óbito. Por considerar a importância da divulgação da cultura científica e da educação sanitária a todos os setores da população brasileira, o Espaço Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz e o Centro de Referência Professor Hélio Fraga vem apresentando desde 1993, em diferentes regiões do país, a história das biociências e da saúde através de exposições itinerantes que adequam temas específicos, pertencentes a disciplinas acadêmicas a um produto cultural atraente e acessível ao grande público.

Introdução

A descoberta do bacilo de Koch em 1882. A tísica, flagelo do século XIX. No Rio de Janeiro, a maior responsável pela mortalidade na cidade. A construção da imagem da tuberculose. A concepção romântica e compreensão social da doença, ligada às condições de vida e de trabalho.

Primeiros passos: A Liga Brasileira contra a Tuberculose

A atuação da Liga Brasileira contra a Tuberculose, entidade filantrópica particular, criada em 1900. As novas tecnologias incorporadas pela Liga em suas ações: o pneumotórax na década de 1910 ; a vacina BCG na década de 1920. O Preventório Dona Amélia.

O Estado entra na luta: a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose

Anos 20. A saúde pública como uma questão nacional. O Departamento Nacional de Saúde Pública e a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose. O início da responsabilidade do Estado para com a tuberculose.

O Estado intensifica a luta: Campanha Nacional contra a Tuberculose e Serviço Nacional de Tuberculose

Década de 1940. Criação do Serviço Nacional de Tuberculose (SNT). Realização de estudos, planejamento de campanhas profiláticas, orientação, coordenação e fiscalização das atividades de instituições ou organizações públicas e privadas vinculadas à luta anti tuberculose. A Campanha Nacional contra a Tuberculose (1946). O plano nacional de combate à doença.Construção de sanatórios e hospitais por todo o país. A quimioterapia antibiótica específica, iniciada com a descoberta da estreptomicina, seguida da hidrazida e do ácido paraminossalicílico (PAS).

Do clima de montanha aos quimioterápicos

Os procedimentos adotados como tratamento científico da tuberculose. O tratamento higieno-dietético, os sanatórios de altitude, a internação, o exame bacteriológico do escarro, os Raios X. A gama de remédios utilizados na tentativa de curar a tuberculose, desde o conhecido óleo de fígado de bacalhau até os preparados à base de ouro. O pneumotórax artificial, técnica cirúrgica criada pelo médico italiano Forlanini, largamente utilizada nos dispensários e sanatórios, a partir da década de 1930 e outras técnicas cirúrgicas de colapsoterapia . Avanços científicos para o controle da doença. O campo da prevenção e do diagnóstico. A vacina BCG e a abreugrafia. A revolução dos quimioterápicos. A TB como uma doença curável.

A tuberculose no imaginário

Na antiguidade, com sua presença impiedosa e diferentes denominações - tísica, caquexia, consunção, peste branca - influenciou o comportamento daqueles a quem atingiu. Sob o nome de consunção esteve ligada à idéia de combustão do ser, gradualmente produzida pela febre. Sua ligação com os pulmões engendrou metáforas aéreas, espirituais e profanas. Tais concepções constituíram o eixo da representação idealizada da tuberculose, existente desde a Idade Média e o Renascimento, com sensível reforço durante o século XIX, quando ficou conhecida como o "mal do século". No Brasil, a tuberculose esteve presente na criação artística em diferentes épocas. A literatura foi seu campo predileto. Românticos como Casimiro de Abreu e Castro Alves, simbolistas como Cruz e Souza e Augusto dos Anjos e modernos como Manuel Bandeira e Ribeiro Couto escreveram poesias inspirados pela "Dama Branca". A prosa, com Floradas na Serra, de Dinah Silveira de Queiróz e a música popular, com os sambas de Noel Rosa, são ainda testemunhas da força imaginativa proveniente da tuberculose.

A tuberculose hoje

A tuberculose ainda hoje constitui um problema de saúde pública relevante em vários países, inclusive no Brasil. Passados mais de 100 anos da descoberta do bacilo de Koch e com um grande avanço técnico-científico que trouxe novos conhecimentos sobre a doença ao longo desse tempo, vê-se com preocupação o quadro atual da incidência da tuberculose.