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Portinari

Arte e Ciência

Fotobiografia de Candido Portinari (1903-1962)

Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro, numa fazenda de café perto da cidade de Brodowski, no estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística.

 Foto em preto e branco de adultos e crianças. Lado a lado e posando seriamente para a câmera, alguns estão em pé e outros sentados. Ao todo, há nove pessoas: quatro adultos, um adolescente e quatro crianças.  A fotografia é bastante antiga, o que explica roupas, penteados e posturas do século passado.
1903

Com dez anos de idade, Candinho, como era chamado pela família, faz o seu primeiro desenho conhecido: um retrato de Carlos Gomes.

1914

Decidido a tornar-se pintor, Portinari muda-se para o Rio de Janeiro e ingressa, no ano seguinte, na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), instituição que seguia padrões estéticos bastante conservadores.

A fotografia, em preto e branco, exibe um rapaz ao lado de uma tela. Posicionado na diagonal para a direita, está sentado em uma banqueta. O jovem tem feição séria e desvia o olhar da câmera. Ele veste camisa clara, além de terno e sapatos escuros. As mãos estão sobre o colo e as pernas, cruzadas. Na tela, que está ao lado esquerdo do rapaz, e é possível ver a figura de um homem. O fundo da fotografia apresenta um grande pano escuro cobrindo parte da parede clara.
1919

O quadro Baile na Roça, primeira obra de Portinari com temática brasileira, é recusado pelo júri do Salão Nacional de Belas Artes.

1924

Com o Retrato do Poeta Olegário Mariano, Portinari conquista o Prêmio de Viagem à Europa. O poeta brasileiro Manuel Bandeira escreve que o pintor há muito merecia esse reconhecimento, mas sempre fora prejudicado por suas tendências modernizantes.

Foto em preto e branco mostra Portinari ao lado de uma tela – Retrato do Poeta Olegário Mariano. Ele está em pé, na diagonal, olhando para a câmera enquanto segura uma paleta de tinta com a mão esquerda. Veste paletó de grossas listras verticais e calça escura. A tela exibe, quase em tamanho real, a figura de um homem. Ao fundo da fotografia, há uma parede com vários quadros e objetos, além de uma estante com livros.
1928

Antes de embarcar para a França, faz sua primeira exposição individual, com 25 retratos, no Palace Hotel do Rio de Janeiro.

A fotografia está em preto e branco e mostra um grupo de pessoas em frente a vários quadros. A maioria é de homens, que estão em pé e posando para o fotógrafo. Eles vestem terno e seguram seus chapéus à frente do corpo. Estão em um lugar fechado e amplo e, na parede atrás deles, há vários quadros de tamanhos diferentes.
1929

No meio artístico parisiense, conhece Maria Victória Martinelli, jovem uruguaia que será sua companheira por toda a vida.

Após ter visto tantos museus, declara que quer mesmo é pintar a sua gente simples de Brodowski "com aquela roupa e aquela cor".

Foto de uma mulher fumando. Trata-se de Maria Victória Martinelli, que tornou-se companheira de Portinari pela vida toda. Ela aparece em close, segurando um cigarro com a mão direita. Os cabelos estão divididos para a esquerda e empastados à cabeça. O olhar dela não se direciona à câmera; as sobrancelhas e os lábios são finos e a mão tem os dedos entreabertos.
1930

Portinari volta decidido a retratar nas suas telas os temas nacionais, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade moderna e experimentalista.

1931

Faz sua primeira exposição individual, após a volta da Europa, onde apresenta obras de temática brasileira - cenas de infância, circos, cirandas.

1932

Obtém o primeiro reconhecimento internacional, conquistando a Segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com a tela Café, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem. Nessa obra, o pintor já revela sua inclinação muralista que irá consolidar-se nos anos seguintes.

1935

Portinari executa quatro grandes painéis para o Monumento Rodoviário, na rodovia que liga o Rio de Janeiro a São Paulo.

O artista começa a conceber os afrescos do novo edifício sede do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro - marco da arte moderna. Com essas obras, que serão concluídas em 1944, Portinari confirma sua opção pela temática social, fio condutor de sua obra a partir de então.

Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança na atitude estética e na cultura do país.

Foto, em preto e branco, de um homem em frente a um painel gigante. Ele está em pé, de costas e olhando para cima. O painel, que tem aproximadamente três vezes a altura do homem, integra o Monumento Rodoviário, entre Rio de Janeiro e São Paulo. As imagens pintadas na imensa parede são um aglomerado de diferentes figuras e formas.
1936

Neste ano, nasce o filho único do pintor, João Candido.

Consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos: realiza três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.

O Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela Morro, incluindo-a na mostra dos maiores quadros dos séculos XIX e XX.

No Rio de Janeiro, o Museu Nacional de Bela Artes expõe 269 obras, na maior e provavelmente mais importante exposição de sua carreira.

Fotografia, em preto e branco, de um homem e uma criança. Trata-se do artista e seu único filho, João Cândido. Aparecem em close, de perfil esquerdo sobre uma porção de areia. O homem está agachado, olhando para o chão e vestindo somente uma sunga, além de óculos. A criança veste roupa clara e está em pé, de frente para as costas do homem, onde apoia as mãos.Em preto e branco, a fotografia revela um grupo observando um grande quadro. Estão em pé, acumulados na lateral direita. O quadro para o qual olham retrata pessoas. Na mesma parede, e na parede ao fundo, há dois quadros menores.
1939

Participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público. Em dezembro a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, Portinari, His Life and Art, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.

A fotografia está em preto e branco e exibe, em Inglês, a divulgação do trabalho de Portinari. Ao longo de uma parede, há duas faixas escuras nas laterais, onde há textos. Entre elas, destaca-se uma parte clara com o nome “Portinari” em letras grandes. Logo abaixo e ao lado, a imagem de uma das pinturas dele e as palavras “of Brazil” e “paintings and drawings”, que, em Português, significam, respectivamente, “do Brasil” e “pinturas e desenhos”.
1940

Portinari executa grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana.

A fotografia, em preto e branco, mostra duas altas paredes totalmente pintadas e um homem em pé em uma escada. As paredes se encontram no centro da imagem, formando um ângulo de noventa graus. O artista usou toda a extensão das superfícies e produziu telas gigantes que retratam pessoas em diversas cenas. Sobre uma escada posicionada entre as paredes, há um homem em pé, olhando para a tela à esquerda.
1941

Conclui os oito painéis da Série Bíblica que pintou para a Rádio Tupi de São Paulo, fortemente influenciados pela visão picassiana de Guernica e o impacto da Segunda Guerra Mundial.

1943

A convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, destacando-se, na igreja de São Francisco de Assis, o mural do altar, a Via Sacra, além dos painéis de azulejos.

A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção da Série Retirantes.

1944

Conclui seus trabalhos para a Igreja da Pampulha, executando o mural São Francisco se Despojando das Vestes.

Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro, candidatando-se a deputado, mas não é eleito.

Em preto e branco, a fotografia mostra o cumprimento entre dois homens. Em primeiro plano, cada um em uma lateral da imagem, os homens cumprimentam-se com um aperto de mãos e sorriem. Entre eles, há um homem sentado e, atrás desse, vários outros estão em pé, aplaudindo.
1945

Dá início aos desenhos da Série Meninos de Brodowski.

Em Paris, realiza sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido agraciado com a Légion d´Honneur, pelo governo francês.

A fotografia, em preto e branco, retrata pessoas conversando em frente a uma das pinturas de Portinari, intitulada “Os retirantes”. Há um homem à esquerda, de perfil, conversando e gesticulando com a mão direita. Ele se dirige a uma mulher e a um homem, também posicionados de perfil.
1946

Expõe em Buenos Aires, no Salon Peuser, e em Montevidéu, nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, recebendo grandes homenagens de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. Nesta ocasião, conhece o poeta cubano Nicolás Guillén e o espanhol Rafael Alberti.

Candidata-se ao senado, mas novamente não é eleito.

1947

Com o acirramento da perseguição aos comunistas, se auto-exila com a família no Uruguai. Neste período, pinta o painel A Primeira Missa no Brasil, encomendado por um banco no Rio de Janeiro.

Foto em preto e branco de um casal em frente a uma das obras do artista, chamada “A primeira missa”. Os dois estão na diagonal, quase de frente para a câmera. A mulher está bastante próxima à esquerda e é abraçada por um homem. Somente o braço direito dele a envolve, passando pelas costas, e terminando na mão, que segura o braço dela. A tela é enorme e ocupou todo o espaço da imagem.
1948

De volta do exílio uruguaio, instala-se novamente no Rio de janeiro. Executa o painel Tiradentes, narrando episódios do julgamento e da execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português.

É convidado a participar, em Nova York, da Conferência Cultural e Científica para a Paz Mundial, mas a Embaixada americana nega-lhe o visto de entrada, por motivos políticos.

A fotografia, em preto e branco, mostra uma imensa pintura do artista, a obra intitulada “Tiradentes” e um homem em frente. Ele está em pé, no canto inferior direito da imagem. Usa camisa clara e terno escuro e está com os braços atrás das costas. A obra tomou uma parede por inteiro.
1949

Recebe a Medalha de Ouro da Paz, do II Congresso Mundial de Partidários da Paz, em Varsóvia, pelo painel Tiradentes.

1950

Tem uma sala especial na Primeira Bienal de São Paulo.

1952

Inicia os estudos para os painéis Guerra e Paz, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, concluídos em 1956, e que foram os maiores pintados por Portinari.

A foto está em preto e branco e apresenta imensas obras de Portinari. Em um local fechado, muito espaçoso e alto, há obras duas ou três vezes a altura média de uma pessoa. Entre as pinturas, percebe-se uma altíssima escada e um homem em pé sobre ela, vestido de branco.
1953

Realiza para o Banco Português do Brasil o painel Descobrimento do Brasil.

Neste ano tem os primeiros sintomas de intoxicação pelas tintas, que lhe será fatal.

1954

Participa da III Bienal de São Paulo, com uma sala especial, expondo 12 estudos da Série Guerra. Recebe a Medalha de Ouro concedida pelo International Fine-Arts Council de Nova York, como melhor pintor do ano.

Na fotografia, em preto e branco, dois homens observam um quadro de Portinari. Estão em pé, à esquerda. O homem mais perto da tela estica o braço esquerdo até quase tocá-la, enquanto o outro, ao lado dele, apoia a mão direita no quadril e olha para cima. Ao lado direito, percebe-se um recipiente cilíndrico com muitos pincéis dentro, além da quina de uma mesa. Ao fundo, partes de outras obras aparecem afixadas na parede.
1955

Faz a Série Dom Quixote, composta de 22 desenhos a lápis de cor, para a editora José Olympio, para ilustrar uma edição, que não chegou a ser realizada, do livro de Cervantes.

Viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contato com o recém-criado estado israelense, expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, Portinari recebe o Prêmio Guggenhein do Brasil.

1956

Os painéis Guerra e Paz são inaugurados na sede da ONU, em Nova York. Por seu envolvimento com o Partido Comunista, a receptividade dos Estados Unidos esfria. Portinari não é convidado a comparecer à cerimônia.

O artista é premiado com a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. Expõe em Paris e Munique. Neste ano, Portinari começa a escrever suas memórias.

A foto em preto e branco registra a exposição de um painel gigantesco da série “Guerra e Paz”. A pintura ocupa o equivalente a dois ou três andares de um prédio e retrata pessoas em diversos momentos e atividades. Ao pé do painel, em ambiente externo, uma aglomeração de observadores que parecem mínimos diante da grandiosidade da obra.
1957

Em Bruxelas, a mostra 50 Ans d'Art Moderne expõe Enterro na Rede, da Série Retirantes, escolhida para figurar entre as 100 obras-primas do século. Foi o único artista brasileiro a participar dessa exposição. Participa também, como convidado de honra, da I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, com enorme sucesso.

Foto, em preto e branco, mostra visitantes em uma exposição. Na lateral esquerda há uma parede com um painel que reproduz uma pintura do artista e, ao lado, as palavras “Obras de Cândido Portinari”. Na lateral direita, e mais ao fundo, há pessoas circulando entre painéis afixados nas paredes.
1958

Portinari apresenta obras na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas latino-americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição Coleção de Arte Interamericana, do Museo de Bellas Artes de Caracas.

1959

Apesar das diversas manifestações da doença, Portinari não pára. Viaja para Paris, onde encontra o filho e aproveita para escrever poesias e rever museus e monumentos da cidade.

1961

Candido Portinari morreu no dia 6 de fevereiro, vítima de intoxicação causada pelas tintas do seu ofício. O artista, na ocasião, preparava uma grande exposição, cerca de 200 obras, a convite da Prefeitura de Milão, que foi realizada em 1963, como a primeira grande mostra post-mortem de sua obra.

Foto em preto e branco de Cândido Portinari. O artista está sentado de frente para uma tela apoiada em um cavalete, na qual se percebe o desenho de uma mulher. Portinari olha para a câmera e sorri com os lábios entreabertos. Ele tem uma paleta de tintas na mão esquerda e um pincel na direita. No canto inferior direito, há vários pincéis de diversos tamanhos.
1962