Centro Cultural do Ministério da Saúde





Atos celebram o Dia Nacional da Luta Antimanicomial


Eventos organizados por pacientes, familiares e profissionais da saúde propõem o fechamento dos hospitais psiquiátricos.


Primeira imagem. A fotografia destaca um dos cantores que se apresentaram no ato organizado no Largo da Carioca: ele está exatamente no centro da imagem, olhando para a câmera. Aparenta ter por volta de quarenta anos. É branco. Usa óculos escuros de lentes redondas. Veste-se de forma carnavalesca: usa uma peruca preta no estilo “Black power”, uma capa preta com gola de pierrô e uma camisa sobre a blusa. Na camisa, lê-se a palavra “liberdade”, pintada manualmente. À direita da figura central, tomando-a como referência, observam-se, em segundo plano, levemente desfocados, algumas pessoas que participavam do ato ou acompanhavam a apresentação. Ao seu lado esquerdo, um percussionista o acompanha com um pandeiro. Ao fundo da fotografia há uma grande banca de jornal, com lona azul. Segunda imagem. Nesta fotografia, um senhor branco, aparentando cerca de cinquenta anos de idade, de cabelos brancos e óculos de grau mostra para a câmera uma folha de papel a quatro onde escreveu, a mão, sua poesia. O homem usa uma camisa branca estampada com um desenho de Ziraldo, e se lê “Abraão, Ilha Grande, Angra dos Reis”. Não é possível ver todo o desenho da camisa, que está coberta, justamente, pela poesia do fotografado. É possível ler a poesia, embora algumas palavras e a pontuação possam não ser compreendidas perfeitamente. O texto diz: “18 de Maio de 2015, Dia da Luta Antimanicomial. Prezados loucos e normais, seguimos vivendo tal a vida. Loucos somos nós, e os normais deixam todos os normais mais loucos. Se enchem de tesouros e somem. Mister não dar tanta atenção á computação e ao estrangeiro. O centro de nossa cidade é o caos. Já não basta o metrô?” Walter Ghelman. Fim da descrição.

Para celebrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio, movimentos que denunciam o tratamento nos hospitais psiquiátricos ocuparam espaços públicos de todo o país. No Rio de Janeiro, a semana começou com um ato político e cultural no Largo da Carioca, região central da cidade. O evento reuniu pacientes, familiares e profissionais da saúde para expressar através da arte o inconformismo com os tratamentos opressores ofertados nos manicômios. O encontro reafirmou a necessidade de acolhimento e de respeito aos direitos das pessoas consideradas loucas.


Ao longo da semana, diversas outras atividades estão programadas para marcar a Luta Antimanicomial na cidade, como a “Parada Louca”, no calçadão de Campo Grande, dia 19/05, e a concentração artística no Largo do Machado, dia 20/05.


Para saber mais sobre a história da Psiquiatria e da luta antimanicomial no Brasil, acesse as mostras virtuais do CCMS. “Memória da Loucura” documenta as diversas formas de tratamento, as personalidades relevantes, as influências estrangeiras e retrata a assistência psiquiátrica, marcada por isolamentos e terapêuticas repressoras. Já a mostra “Nise da Silveira: Vida e Obra” traz uma retrospectiva biográfica da psiquiatra que revolucionou os métodos de atendimento ao portador de transtornos mentais no país.


Terceira imagem. A fotografia mostra um grupo de pessoas participando de uma das atividades desenvolvidas no ato cultural realizado no Largo da Carioca. Ao fundo, observa-se a base em concreto e aço do principal monumento artístico construído na praça. As pessoas formam dois grupos, que fazem uma espécie de ciranda. A atividade consistia em fazer com que as pessoas juntassem suas mãos, em roda, e jogassem seus corpos para trás, com o objetivo de desenvolver o equilíbrio e a confiança. Bem no centro da imagem, no ponto de foco da fotografia, está uma senhora branca, de cabelos louros, aparentando por volta de quarenta anos de idade. Ela veste uma camisa preta sobre a qual põe uma echarpe branca e florida. Usa óculos de grau e pequenos brincos dourados. No momento do registro da imagem, ela lança seu corpo para trás, e abre a boca e seus olhos, expressando satisfação e alegria. Quarta imagem. A fotografia registra uma apresentação musical. Em destaque na imagem, a cantora é uma senhora negra, com vestido branco de listras azuis, lenço rosa cobrindo os cabelos e um grande colar com peças de madeira. Ela também usa óculos escuros, além do par que carrega pendurado no pescoço, este de grau. Ao fundo da imagem, há pessoas passando na rua, transeuntes, e duas jovens mulheres que observam a apresentação com expressão de felicidade. Elas sorriem. Bastante ao fundo, veem-se as pilastras de um dos grandes edifícios da região. A cantora está acompanhada por dois homens, um de cada lado. Ao lado direito dela, um jovem branco vestido com calça jeans e camisa cinza. Ele usa mochila. Tem nas mãos uma garrafa e um copinho d’água. Ao lado esquerdo da cantora, um senhor com camisa xadrez, de mangas longas, mas dobradas, segura o microfone para a apresentação da cantora. Enquanto se apresenta, a cantora apoia a mão esquerda sobre a mão com que o homem lhe segura o microfone. Na mão esquerda, este homem também segura uma garrafa d´água. É possível, aliás, verificar que a água está gelada, pelo aspecto apresentado na parte externa do recipiente de plástico. No punho esquerdo do senhor, há amarrada uma fita branca do Senhor do Bonfim, onde se pode ler, ampliando a imagem, a palavra “Bahia”. Fim da descrição.