Centro Cultural do Ministério da Saúde





Luta Antimanicomial


Ato do Dia Nacional da Luta Antimanicomial e Encontro de Oficinas uniu forças para discutir as pautas

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é comemorado no dia 18 de maio desde 1987, quando os participantes do II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, realizado em Bauru/SP, denunciaram os abusos sofridos pelos usuários do sistema de saúde mental e seus familiares por todo o Brasil, criando o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial (MNLA). Tendo como lema “Por uma sociedade sem manicômios”, o Movimento reivindica que as pessoas com sofrimento mental tenham o direito fundamental à liberdade, o direito a viver em sociedade, além do direto a receber cuidado e tratamento sem que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.



Legenda: Cartaz exibido no ato pela luta antimanicomial, no Largo da Carioca


Tendo conquistado diversas vitórias históricas, como a reforma psiquiátrica e a Lei 10.216/2001, que determina o fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos e a instalação de serviços substitutivos, como as Residências Terapêuticas e os CAPS (Centros de Apoio Psicossociais), o Movimento permanece atuando continuamente na implementação de suas diretrizes. O Loucura Suburbana, bloco formado por usuários e profissionais da rede de saúde mental, que desde 2001 desfila no entorno do Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro/RJ, e em 2010 tornou-se Ponto de Cultura, é um exemplo de trabalho constante no sentido de romper os muros do hospício.



No dia 05 de maio, o CCMS esteve na Sala Dona Ivone Lara, sede do Ponto de Cultura, para conferir o Encontro de Oficinas, evento que reúne, toda primeira quinta-feira do mês, as oficinas de cunho artístico-cultural que ocorrem no espaço. Clientes do Instituto, além de outros vindos de CAPS do entorno, participam do Encontro, que conta com a exibição de filmes ligados a música, arte e cultura. Em comemoração ao dia nacional do Choro, 23 de abril, naquela tarde foram exibidos os filmes Alma Carioca – um choro de menino, curta de animação sobre Pixinguinha e a Pedra do Sal, dirigido por Willam Côgo, e Nas rodas de choro, documentário de Milena Sá sobre o histórico das rodas de chorinho no Brasil. No final da sessão, que é gratuita e aberta ao público, os participantes confraternizaram em uma entusiasmada roda de choro, que se estendeu pela tarde inteira.




Legenda: Participantes do Encontro de Oficinas preparam-se para o início das atividades



Legenda: Clientes e colaboradores confraternizam em roda de choro, após a sessão de filmes


Como comemoração pelo 18 de maio, o Núcleo Estadual do Movimento Nacional de Luta Antimanicomial do Rio de Janeiro (NEMNLA/RJ) organizou um grande ato no Largo da Carioca. Reunindo diversas instituições ligadas à saúde mental, o ato contou com exposição de cartazes, performances, rodas de conversas e dinâmicas que visavam integrar usuários dos serviços de saúde mental, profissionais da área, pesquisadores, e a população em geral. Para a estudante de psicologia Marina Harter, a luta antimanicomial coloca em jogo uma outra forma de habitar a cidade, menos hierarquizada. Foi assim que, no ato, pôde-se observar uma participação horizontalizada de vários estratos da população – pessoas que puderam, mais livremente, manifestar suas reivindicações e desejos para a comunidade.




Legenda: Dinâmica movimenta o Largo da Carioca no dia nacional da Luta Antimanicomial


Segundo Daniela Albrecht, psicóloga que participa do MNLA, trata-se de um dia de comemoração pelas vitórias conquistadas ao longo da história, mas ainda é um dia de luta, por todas as outras pautas que permanecem. Dados do Ministério da Saúde, como os relatórios “Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil”, de 2005, e “Saúde Mental no SUS: as novas fronteiras da Reforma Psiquiátrica”, de 2011, apontam para conquistas significativas no que tange à pauta antimanicomial, mas a luta deve ser diária.




Legenda: Cartazes exibidos no ato do dia da luta antimanicomial



Legenda: Militantes da luta antimanicomial ocupam o Largo da Carioca com faixas e estandartes