Centro Cultural do Ministério da Saúde



Retratos da Saúde Brasileira

Pacientes brincando com pôneis nos jardins de um hospital? Conheça a zooterapia no Hospital Federal da Lagoa!

Assim que os primeiros raios de sol brilham sobre o espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal da cidade do Rio de Janeiro, Sashimi e Yakisoba se preparam para mais um dia de trabalho. Mas, nas manhãs das quartas-feiras, os pôneis desempenham uma missão muito especial: são voluntários no Hospital Federal da Lagoa.


Todas as semanas, uma dupla de equídeos marcha dos estábulos da Sociedade Hípica Brasileira até os jardins do hospital vizinho. A zooterapia com pôneis é um processo terapêutico voltado para a qualidade de vida dos pacientes criado a partir de uma parceria entre o Lagoa Voluntário, a veterinária Ana Stela Fonseca e a criadora Françoise Denis, do Pônei Clube do Brasil, que cede os animais ao projeto.



Legenda: Pacientes da Pediatria do Hospital Federal da Lagoa montam nos pôneis que participam do programa de voluntariado desenvolvido na unidade.



Basta os pôneis pisarem no gramado dos jardins desenhados por Roberto Burle Marx, um legado do paisagista à cidade do Rio de Janeiro, para as crianças descerem das enfermarias em direção aos animais.


Alguns pacientes chegam mais tímidos, ou com um pouco de medo, como a pequena Ayra, que vem no colo de seu pai. Até o fim da sessão de zooterapia, ela montará em Yakissoba e deixará escapar um sorriso. Mas, pra ganhar a confiança da menina, sua amiga Minnie Mouse vai precisar mostrar que é mesmo divertido cavalgar naquele que parece um gracioso cavalinho.



Legenda: Para conquistar a confiança da pequena Ayra, o pônei Yakissoba passeia com a boneca da menina, uma Minnie de pelúcia.



Já Miguel, de seis anos e postura de cavaleiro, é mais destemido: “Eu já montei até num búfalo”, ele conta, sem modéstia. O rapazinho brinca com os pôneis enquanto aguarda o resultado dos exames que fez mais cedo. “Depois de cavalgar, ele fica mais seguro e tranquilo para o tratamento. Ele se sente mais corajoso até pra tomar uma injeção, se for preciso!”, conta o pai do cavaleiro, João Maia.



Legenda: Com o apoio de um voluntário e guiado pela veterinária Ana Stela, Miguel, de seis anos de idade, apresenta postura de cavaleiro.



Paulo Cerdeira, coordenador do Lagoa Voluntário, explica que o contato com os animais fora das enfermarias ajuda a libertar a criança do estigma da doença: “Confinado no espaço hospitalar tradicional, o paciente perde a sua subjetividade. Nos jardins, em contato com as plantas, sentindo o ar puro do ambiente, derrubamos mitos como o de que a criança hospitalizada não pode brincar, não pode pisar no chão, não pode correr”, explica o médico.


Andrea Araújo, chefe da Clínica Médica do Hospital, ressalta a importância do trabalho: “Permitir que o paciente saia dos quartos e enfermarias para realizar uma atividade como essa é humanizar o ambiente hospitalar”. Andrea explica que os profissionais da área de saúde devem conhecer os benefícios do projeto para avaliar a possibilidade de cada criança participar do processo terapêutico nos jardins: “Um paciente com esforço respiratório, por exemplo, não poderá montar no animal”.


Para garantir a saúde dos baixinhos no lado de fora das enfermarias, todas as áreas do Hospital se mobilizam. O setor de Hotelaria, por exemplo, além de realizar vistorias ambientais nos jardins diariamente, faz um trabalho de prevenção nos lagos do hospital com atomizador e larvicida contra o mosquito Aedes Aegypiti, que transmite dengue, zika e chikungunya.



Legenda: Sashimi integra o time de pôneis que todas as quartas-feiras participam do Lagoa Voluntário.



Os benefícios da zooterapia estão sendo analisados em projetos de pesquisa desenvolvidos com a participação da veterinária Ana Stela e profissionais do Hospital Federal da Lagoa. Enquanto os estudos científicos no Hospital são aprofundados, os resultados da participação dos pôneis nos jardins da unidade podem ser sentidos na expressão de cada criança, de seus pais e acompanhantes, bem como na satisfação dos profissionais envolvidos na terapia. Françoise, a proprietária dos animais, revela: “É uma emoção indescritível ver a felicidade no rosto dos pequenos mesmo num momento em que enfrentam um tratamento médico tantas vezes desgastante”