Projeto Quatro Varas
Da favela à comunidade organizada
Após um longo processo de conscientização e de luta, amadurecido ao longo dos vários incidentes com a polícia e da destruição sucessiva de suas casas, a favela do Pirambu — com uma população de aproximadamente 50.000 habitantes — decide realizar uma grande marcha de protesto pela cidade, que culmina no prédio da Prefeitura. Nesse ato, uma data histórica, milhares de pessoas, conduzindo cartazes, faixas e cantando o hino do Pirambu, pedem respeito e exigem que a Prefeitura adote medidas de proteção para a habitação.
Pela primeira vez uma favela organizada consegue pressionar os governantes para que encarem com seriedade o problema habitacional de Fortaleza!
Sob a liderança de Aírton Barreto, o advogado que opta por viver na favela e participar da mesma sorte de seus residentes, os Direitos Humanos são implantados na favela. A população é informada sobre os seus direitos e deveres e orientada sobre as ações legais para que a lei seja cumprida.
Renasce a esperança, e a comunidade começa a reconstruir, em regime de mutirão, suas casas destruídas pela força policial. Esse contexto de luta faz com que a dinâmica social se intensifique e estimule o surgimento de várias associações comunitárias.
Atualmente, a favela do Pirambu, com uma população estimada em 250 mil habitantes, possui cerca de 100 associações organizadas em torno de um grande conselho comunitário chamado "Grande Entidade" que apoia as lutas populares.
Famílias ocupam o terreno de uma fábrica desativada e, da noite para o dia, constroem seus precários casebres. O centro de Direitos Humanos, implantado na comunidade, orienta os moradores sobre seus direitos e deveres.
As crianças assistem com tristeza à destruição de suas casas.
Milhares de pessoas atravessam a cidade e se dirigem à Prefeitura exigindo providências para a solução do problema habitacional.
Aírton, o advogado do Centro de Direitos Humanos, conscientiza a comunidade sobre os seus direitos e faz apelos à Justiça. Renascem as esperanças e tudo é reconstruído.
