Projeto Quatro Varas
O trabalho
Quando a mãe sai para o trabalho, a filha cuida da casa e dos irmãos mais novos
Uma necessidade se impõe aos novos habitantes: a busca de um emprego. Os pais precisam nutrir suas famílias. As portas das fábricas e empresas raramente os acolhem. Não possuem qualificações profissionais. Cada dia seguem o mesmo ritual: acordar cedo com a esperança renovada, bater em portas fechadas e retornar, à noite, cansados de uma jornada improdutiva.
Estão famintos, a barriga não mais pode esperar, necessita alimentar-se. A prioridade passa a ser "caçar" comida. Quase toda a energia vital é gasta na busca de alimentos. São capazes de se submeter a tudo para conseguir comida para si e seus filhos. Em busca de uma ocupação para conseguir o pão, o pai e a mãe deixam diariamente suas casas, cada um seguindo um rumo diferente.
E os filhos? Ficam sob os cuidados de uma irmã mais velha, são deixados em casa de vizinhos ou vão também à luta em busca de uns trocados para a família, mendigando ou limpando pára-brisas de carros nos semáforos. Às vezes, nem compensa retornar à casa, dormem pelas ruas, cada um procurando se virar, sobreviver. É a família que literalmente agoniza e descobre a indiferença de uma sociedade.
Todas as manhãs, acumulam-se pessoas procurando trabalho nas fábricas de castanha de caju. Para uma minoria de mulheres, essa florescente indústria do Ceará representa uma chance de emprego estável.
Possuir uma máquina de costura pode se tornar uma maneira de ganhar a vida, assim como lavar e passar roupa para os clientes ricos.
Enquanto uns são ambulantes e outros operários da construção civil, muitos encontram na pesca e no serviço de limpeza pública o mínimo para o sustento da família.
Após um dia cansativo descascando castanhas, os trabalhadores voltam para casa.
