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Sociedade Viva

Violência e Saúde

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Projeto Quatro Varas

A seca

Famílias inteiras abandonam suas casas à procura de dias melhores nas grandes cidades

Este desenho em cores mostra cena de aridez em um ambiente. À esquerda, vê-se um conhecido “pau-de-arara”, um caminhão que leva pessoas na carroceria. À direita, à margem da pista por onde transita o carro, nota-se um cavalo magro e os ossos de um boi jogados ao chão. O solo está rachado, pobre de vegetação e quase sem nenhuma água onde, se percebe, deveria haver alguma lagoa. Ao fundo, observam-se árvores sem folhas, alguns cactos e uma pequena casa amarela.

O sertanejo vive sob a constante ameaça da falta de chuva. Quando falta água, a vida fica ameaçada e a paisagem verde e alegre do sertão torna-se cinzenta, parecendo uma vegetação de árvores mortas.

As secas são verdadeiros desastres "criminosos" profundamente desestruturadores do corpo social. A seca de 1877 a 1879, por exemplo, matou cerca de 500.000 pessoas, ou seja, a metade da população, e a totalidade dos rebanhos. As crianças e os velhos são os mais atingidos já que sobre eles se abatem os efeitos da má nutrição, da desidratação e das doenças infecto-contagiosas.

Essa situação, que provoca êxodos desestabilizadores, fugas em massa para as regiões litorâneas, redunda em superlotação repentina nas periferias urbanas das grandes capitais do Nordeste e do Sudeste do país, constituindo uma verdadeira população de refugiados de uma política injusta e concentradora de riquezas e terras.

Este desenho, revela uma contradição. No centro da figura, ocupando grande parte da extensão, percebe-se um rosto masculino dividido ao meio. Em uma parte, nota-se a pele envelhecida, com manchas e aspecto de cansaço. Neste mesmo lado, o cenário mostra um homem cabisbaixo, segurando uma trouxa. Ele está em pé sobre o solo árido, alguns cactos, uma árvore sem folhas, o tempo seco e os urubus aguardando comida. A fração direita do rosto em destaque revela uma pele jovem, limpa e bonita. A cena se completa trazendo um trabalhador do campo sorridente em meio a uma plantação. Percebem-se ainda um pequeno lago, chuva, uma árvore repleta de folhas verdes e pássaros voando sobre o terreno fértil.

Para o sertanejo, a realidade tem duas faces: inverno e seca. Ele é, antes de tudo, um homem de luta e trabalho que enfrenta, com determinação, as condições climáticas adversas.

Neste desenho em cores percebe-se a aridez do local onde brotam cactos e não há árvores que ofereçam sombra. À esquerda, percebem-se três meninos brincando e um deles está sentado no chão. À direita, alguns homens trabalham enquanto mais dois garotos também brincam. Nota-se, ao fundo, uma pequena casa parcialmente escondida pelo solo um tanto elevado.

Caçar comida faz a festa da criançada. Um pássaro, um camaleão, um preá podem matar a fome e significar mais um dia de sobrevivência. E, quanto mais escassa fica a água, mais longe se vai buscá-la, uma tarefa que conta com a ajuda de todos.

Este desenho apresenta várias pessoas transitando pela paisagem árida de uma pequena cidade. Veem-se um cavalo montado por um homem, um tronco seco onde pousa uma ave e árvores desprovidas de folhas. O fundo, em tons de amarelo e laranja, revela sol forte e tempo seco.

Devido à hostilidade da natureza e à inexistência de apoio, os sertanejos buscam a proteção de seus santos, reproduzindo assim o modelo hierárquico esperado — os santos são protetores, como o são os políticos, fazendeiros e padrinhos.

Este desenho mostra uma grande pista de asfalto dividindo um terreno em duas partes. À esquerda, cinco palmeiras resistem em meio a uma lagoa quase seca. À direita, dois cactos verdes colorem o solo desidratado. Seguindo a pé pela rodovia, nota-se uma família formada por dois adultos e uma criança, acompanhadas por um equino.

Com a seca, a vida no sertão fica impossível e partir se torna um imperativo: uns utilizam o pau-de-arara e outros, os mais pobres, seguem a pé. A longa estrada asfaltada é um sinal de que a cidade grande está próxima.

Este desenho em cores mostra à esquerda, mulher com três crianças carregando latas, além de cactos e um menino empurrando carrinho com lata d’água. A outra parte da figura mostra mulher carregando recipiente com água na cabeça, homem guiando burro e menino segurando um objeto.